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#393 – A nódoa Cruz e Sousa | Live com Ivone Dare Rabello

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Como indica o título, “A nódoa Cruz e Sousa” sugere que, se quisermos contribuir criticamente para preservar a obra desse autor, temos de falar do que ela representa – uma nódoa, o sinal de cor diferente numa superfície de cor uniforme, um estigma. Temos de falar do que nela foi reprimido. Apesar de alguns trabalhos, ainda em vida do autor, terem elogiado sua obra (da qual em vida foram publicados apenas Missal e Broqueis, em 1893), quase sempre isso se devia à incompreensão do que ela de fato significava. Se, da parte do grupo simbolista, elogiava-se a ousadia do poeta, que contrariava os ditames dominantes da poesia parnasiana, de outra parte se acusava esse “negro retinto, filho de escravos,” de nada entender da cultura a que aspirava, e que não passaria de contrabando de ideais francesas desajustados ao ideário nacional. Já depois de sua morte (em 1898, com 37 anos), lastimavam-se os sofrimentos do poeta negro, versados em seus poemas e, especialmente, em “Emparedado”. Falava-se do “Dante negro”, do “Cisne negro”, como se a cor da sua pele por si só bastasse para elevá-lo a alturas grandiosas. Com exceção de Roger Bastide, que em 1943 escreveu “Quatro estudos sobre Cruz e Sousa”, o primeiro a revelar o que significava a condição do poeta negro numa sociedade que permanecia escravista e, especialmente, como isso se tornava forma na produção do poeta, Cruz e Sousa foi canonizado como introdutor do Simbolismo no Brasil, mas essa canonização serviu-lhe para ser neutralizado. (O primeiro crítico a incluí-lo numa História da Literatura foi Ronald de Carvalho, em 1919). Trata-se, então, de investigar as razões da neutralização de Cruz e Sousa no cenário cultural e social brasileiro. Sobre isso conversaremos. Ivone Dare Rabello Professora sênior de Teoria Literária e Literatura Comparada da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo Autora (entre outros) de Um canto à margem, sobre a poética de Cruz e Sousa.


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